Os réus pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, começam a ser julgados no Tribunal do Júri da Bahia na próxima terça-feira. O crime ocorreu em agosto de 2023 em Simões Filho, região metropolitana de Salvador.
Entidades de direitos humanos exigem justiça
Com o julgamento dos acusados se aproximando, entidades de defesa dos direitos humanos se mobilizam para garantir um processo justo. Conforme anunciado, a Anistia Internacional Brasil é uma das organizações que lideram essas ações. Jurema Werneck, diretora executiva da entidade, afirma que o Estado brasileiro deve assegurar proteção e justiça a defensores de territórios.
Jurema sublinha que o assassinato de Mãe Bernadete não é um caso isolado, mas parte de uma série de violências contra comunidades quilombolas. “Esperamos um júri independente que avance na responsabilização dos envolvidos”, declarou ela em comunicado recente.
Situação dos réus e detalhes do crime
Mãe Bernadete Pacífico, também conhecida como Mãe Bernadete, foi brutalmente assassinada com 25 tiros em sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares. Arielson da Conceição Santos, um dos acusados, está em prisão preventiva, enquanto Marílio dos Santos, outro réu, continua foragido.
Ambos respondem por homicídio qualificado, feminicídio e outros crimes. De acordo com informações divulgadas, o crime ocorreu mesmo após a vítima denunciar ameaças frequentes. Mãe Bernadete integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Impacto e mobilização social
O caso de Mãe Bernadete gerou ampla repercussão nacional, destacando a vulnerabilidade das comunidades quilombolas e seus líderes. Segundo informações divulgadas, a mobilização em torno de seu julgamento é vista como uma oportunidade de reafirmar a luta por justiça e reparação.
Organizações de direitos humanos defendem que este julgamento deve servir como marco na proteção de defensores de direitos humanos no Brasil. “Defender direitos humanos não pode custar vidas”, enfatizou Jurema Werneck, ecoando o sentimento de muitos ativistas e familiares da vítima.