Ambulantes no Rio enfrentam desafios com filhos no carnaval

people standing near body of water Foto: Roberto Silva (Unsplash)

Desafios das mães ambulantes no carnaval

Durante o carnaval no Rio de Janeiro, a busca por algo gelado para beber em meio à folia pode ser um alívio para muitos. No entanto, por trás dessa experiência festiva, existem trabalhadores ambulantes, que enfrentam condições precárias para garantir seu sustento. Esses profissionais, que circulam entre as multidões vendendo bebidas e alimentos, muitas vezes se veem obrigados a levar seus filhos com eles, já que não contam com a ajuda de outros cuidadores e as escolas permanecem fechadas durante o feriado.

Esse é o cotidiano de Taís Aparecida Epifânio Lopes, uma ambulante de 34 anos que vive na favela do Arará, na Zona Norte do Rio. Ela utiliza o transporte público para se deslocar até a Zona Sul, onde vende bebidas e é acompanhada por sua filha de 4 anos. Taís explica que o carnaval é uma oportunidade única para ganhar dinheiro, essencial para a sobrevivência da família: “Carnaval é quando a gente consegue ganhar mais dinheiro, é um evento grande, então, se eu não fizer isso, a gente não come, não bebe. E eu não posso deixá-la sozinha”. Assim, mesmo com a preocupação de deixar o filho mais velho, de 16 anos, em casa, ela se vê sem alternativa.

A realidade de outras mães ambulantes

Outra mãe ambulante, Lílian Conceição Santos, também de 34 anos, encontra-se em uma situação semelhante. Trabalhando no centro da cidade, Lílian leva com ela três filhos e sobrinhos, que variam entre 2 e 14 anos. “O carnaval ajuda demais nas contas, não posso deixar de vir”, afirma. Enquanto Lílian vende biscoitos, balas e bebidas, as crianças passam o tempo em colchões improvisados, refrescadas por ventiladores e entretidas com celulares. Ela descreve a precariedade de sua rotina: “Aqui é precário. O banheiro que a gente usa é o bueiro, toma banho com água da polícia e comida é na panela elétrica”.

Apoio e reivindicações das ambulantes

O carnaval carioca deve movimentar cerca de R$ 5,8 bilhões, representando o maior faturamento do ano para os ambulantes, que consideram essa época como um “décimo terceiro salário”. Em busca de melhores condições de trabalho, mães ambulantes estão se unindo por meio do Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas, reivindicando apoio do poder público. Elas pedem a instalação de espaços de convivência onde possam deixar seus filhos e descansar durante as longas jornadas de trabalho.

Recentemente, em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho, o movimento conseguiu a implementação de um espaço para acolhimento infantil durante os desfiles do carnaval. Nesse local, crianças de 4 a 12 anos podem participar de atividades lúdicas, descansar e receber refeições. O espaço funciona das 18h às 6h e já recebeu cerca de 20 crianças por noite. Taís, que deixou sua filha lá no primeiro dia, relatou que a experiência foi positiva: “Minha filha gostou, eu também entrei e achei um espaço super bacana”. No entanto, as mães continuam lutando para expandir esse serviço, buscando horários que atendam também as necessidades das que trabalham durante o dia.

Além disso, a falta de apoio em áreas próximas onde as ambulantes atuam é uma preocupação constante. Lílian destacou que, se o serviço estivesse mais acessível, ela poderia utilizá-lo mais frequentemente. As mães ambulantes sentem que prestam um serviço essencial ao carnaval, mas relatam a falta de reconhecimento e suporte adequado, principalmente em termos de proteção e condições de trabalho seguras.

Para a secretária municipal de Assistência Social, Martha Rocha, a prefeitura realiza ações permanentes voltadas à prevenção do trabalho infantil e está atenta às necessidades dos ambulantes. No entanto, muitas mães ainda se sentem invisíveis e clamam por uma maior valorização do seu trabalho e pelo reconhecimento de seus direitos como trabalhadoras. O carnaval, para essas mulheres, não é apenas uma festa, mas uma oportunidade de garantir sustento e dignidade para suas famílias.

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    Jaqueline Silva é produtora de conteúdo no i9artigos.com, especializada em política, atualidades e fatos curiosos do mundo. Com olhar analítico e habilidade em transformar informações complexas em explicações acessíveis, ela acompanha diariamente os principais acontecimentos nacionais e internacionais para oferecer conteúdo confiável, contextualizado e relevante. Sua produção combina pesquisa rigorosa, atenção a detalhes e compromisso com a clareza, ajudando o leitor a compreender temas importantes e as tendências que moldam a sociedade.

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