Recordando a tragédia de Brumadinho
Situações emocionantes marcam o ato simbólico realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, onde crianças se sentaram no chão, amassando argila para criar pequenos vasinhos. Esse ato, que parece simples, tem um significado profundo: relembrar os sete anos da tragédia que abalou o Brasil, quando 272 vidas foram perdidas após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho.
O evento foi promovido pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, uma organização criada em memória dos filhos de Helena Taliberti, que também se tornaram vítimas do desastre. Camila e Luiz estavam hospedados na Pousada Nova Estância, que foi engolida pelos rejeitos resultantes do rompimento da barragem. Helena, que perdeu não apenas os filhos, mas também a nora, Fernanda Damian, que estava grávida, e o ex-marido, destaca a dor ainda presente em sua vida.
A luta por justiça e conscientização ambiental
Em meio ao ato, Helena expressou sua profunda tristeza em uma entrevista à . “As crianças são o nosso futuro”, afirmou, com lágrimas nos olhos. “Estou um pouco emocionada porque não vou ter netos mais. Mas eu acho que ainda tenho obrigação de zelar pelo futuro dessas gerações para que elas entendam o que é o meio ambiente. O meio ambiente não é lá na Amazônia, o meio ambiente não é lá no Pantanal”, lamentou.
Helena enfatizou a importância de cuidar de todos os biomas, ressaltando que São Paulo, embora parte da Mata Atlântica, possui apenas 12% do bioma original. “Precisamos criar, dentro das nossas cidades, nichos importantes de respiro do planeta. São Paulo precisa ter respiros e um trabalho muito importante com as próximas gerações para que não seja uma cidade inviável do ponto de vista de moradia”, concluiu.
Um chamado à ação
O ato não se limitou apenas à oficina de argila. Às 12h28, uma sirene soou na Avenida Paulista, marcando o momento exato em que a tragédia de Brumadinho ocorreu. Esse gesto simbólico serviu para lembrar que, em 25 de janeiro de 2019, a sirene de alerta que poderia ter salvado vidas não soou. Helena destacou que investigações posteriores revelaram que a mineradora tinha conhecimento sobre os problemas na barragem, mas não tomou as medidas necessárias para evitar o desastre.
“Aquela tragédia poderia ter sido evitada”, afirmou Helena, enfatizando que a sirene poderia ter feito a diferença. Ela também fez um apelo para que as lições aprendidas sejam aplicadas, para que tragédias como essa não se repitam. “Precisamos lembrar que a tragédia de Mariana, anterior a Brumadinho, foi a verdadeira sirene que ninguém ouviu”, concluiu.
Sete anos após a tragédia, a busca por justiça continua. Até agora, não houve responsabilização criminal efetiva, e um processo tramita na Justiça mineira, que julgará 15 pessoas pelo ocorrido. Helena lamenta que a reparação para os atingidos está sendo lenta e que muitas vidas foram destruídas sem que houvesse o devido reconhecimento e compensação. Ela acredita que a impunidade é a porta aberta para novas tragédias, e que a luta por justiça deve continuar, não apenas por aqueles que perderam suas vidas, mas também por aqueles que continuam a viver com as consequências da tragédia.