O que é o Grupo de Trabalho Técnico da Maré?
A Secretaria-Geral da Presidência da República anunciou, no dia 27 de janeiro de 2026, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizada no Rio de Janeiro, a criação do Grupo de Trabalho Técnico da Maré (GTT Maré). Essa nova iniciativa terá um prazo de 90 dias para desenvolver um plano de ação específico para a favela da Maré. O GTT Maré surge como uma medida do governo federal, com o objetivo de reafirmar o compromisso com a participação social, a promoção de direitos e a integração de políticas públicas nas favelas da Maré.
De acordo com informações do governo, essa ação é o resultado de um processo político e institucional que foi iniciado a partir de um diálogo com as organizações comunitárias da região, especialmente com a Articulação Redes da Maré e as 16 associações de moradores locais. Essa escuta qualificada demonstra a intenção do governo de construir uma relação mais próxima e respeitosa com a comunidade.
Recursos e ações para a Maré
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou que a criação do GTT Maré é fundamental para moldar a forma como o Estado brasileiro deve interagir com as comunidades populares. Ele anunciou que o complexo de favelas da Maré receberá um investimento histórico de R$ 170 milhões, destinado a diversas obras que incluem urbanização, infraestrutura, regularização fundiária e melhorias nas condições de vida dos moradores. Além disso, o plano abrange iniciativas de saúde digital e telemedicina, visando aumentar o acesso a serviços essenciais.
Boulos ressaltou que o trabalho do GTT poderá resultar na criação de um modelo de intervenção territorial, a partir do diálogo com as lideranças comunitárias, permitindo que as ações desenvolvidas sirvam como exemplo para outras comunidades do Brasil. Ele afirmou que essa iniciativa pode ser um “embrião” que fortalecerá a dignidade e o respeito que todos os cidadãos, independentemente de sua condição social, merecem. Ele comparou a necessidade de tratamento equitativo entre a população da Maré e os habitantes de áreas mais ricas, como a Barra da Tijuca, enfatizando que todos devem ser tratados com respeito.
Integração e perspectivas futuras
O GTT Maré reunirá representantes de diversos ministérios, universidades e outras instituições federais, promovendo uma atuação integrada em áreas como saúde, igualdade racial, direitos sociais, habitação, segurança cidadã e participação social. O objetivo é estruturar ações de médio e longo prazo que atendam as demandas da comunidade de maneira eficaz e abrangente.
Durante a apresentação do projeto, Boulos também mencionou a importância de levar agentes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) para a região. Este programa, gerido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi criado para articular ações de segurança pública, prevenção da criminalidade e políticas sociais, além de oferecer proteção às vítimas de violência.
Ele destacou que a presença do governo na Maré deve ir além da atuação policial. “Não basta apenas trazer a polícia. É necessário promover moradia, saúde e políticas de emprego para realmente impactar a vida da população”, afirmou. O ministro mencionou planos para a construção de 600 unidades habitacionais na Maré, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, como uma das ações que visam melhorar as condições de vida dos moradores.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que cresceu no Complexo da Maré, também participou da cerimônia. Ela enfatizou a importância de ações integradas que contemplem saúde, educação, cultura e lazer, para que a comunidade possa prosperar. Franco destacou que a luta contra o racismo e a desigualdade não pode se restringir a uma única abordagem, mas deve incluir múltiplas vertentes.
Após a solenidade, os ministros visitaram a Maré para dialogar diretamente com os moradores, demonstrando compromisso e disposição para ouvir as necessidades da comunidade. Estiveram presentes na cerimônia representantes do governo, líderes comunitários e membros de organizações da sociedade civil, reforçando a importância da participação popular na construção de soluções para os desafios enfrentados pela comunidade.