Ritual de Umbanda reúne devotos para celebrar Iemanjá

person holding stainless steel container Foto: Fateme Alaei (Unsplash)

Ritual em devoção à Iemanjá

Ana Beatriz de Oliveira, 23 anos, foi a primeira a chegar à Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, na noite do dia 30 de dezembro de 2025. Ela participou do ritual de devoção à Iemanjá, a orixá feminina que representa as águas nas religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé. Com rosas amarelas em mãos, Ana Beatriz buscou fazer uma oferenda à entidade, conhecida por ser reverenciada com as cores azul e branco. “Eu fui comprar rosa branca, mas não tinha. Só tinha palma branca, só que estava murcha”, relatou a jovem.

As rosas amarelas que Ana Beatriz levou eram uma forma de expressar sua gratidão. Ela explicou: “Eu vim agradecer pelo ano. Vim agradecer por eu ter conseguido me formar em arquitetura, porque foi muito difícil”. A jovem também compartilhou que está empregada no escritório onde estagiou antes de concluir seus estudos.

Demandas e reflexões dos participantes

Washington Bueno, 58 anos, cabeleireiro e maquiador, também participou do ritual. Ele trouxe palmas brancas viçosas como oferenda e tinha pedidos especiais para Iemanjá: saúde, amor e, principalmente, um ano com menos violência de gênero. “Nós brasileiros estamos um pouco em conflito. Há questões de falta de respeito ao próximo, né? Tivemos este ano de 2025 com tantas agressões às mulheres”, lembrou. Washington fez um apelo por mais gentileza e conscientização nas relações humanas: “Cadê essa gentileza? Eu estou aqui para pedir um ano mais de conscientização com o bem-estar e cuidado de um do outro.”

Uma tradição que se renova

As palmas brancas, rosas amarelas e outras flores levadas à Praia Vermelha foram depositadas em um barco de cerca de dois metros de comprimento, que estava ornamentado com a imagem de Iemanjá. O espaço foi preparado para a gira na areia da praia, organizada pela Associação Umbanda e Cultos Afros (Auca). Este culto, denominado “Presente de Iemanjá”, foi o quinto realizado na última semana do ano em homenagem à orixá e contou com o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Coordenadoria da Diversidade Religiosa.

O evento atraiu fiéis que buscavam celebrar, agradecer e levar oferendas à deusa das águas, misturando tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural. A celebração é uma oportunidade para a comunidade refletir sobre o ano que passou e fazer pedidos para o ano que se inicia.

O ritual em homenagem à Iemanjá é uma parte importante da cultura carioca e do sincretismo religioso brasileiro, que valoriza a diversidade de crenças. A presença de tantas pessoas na Praia Vermelha reafirma a força e a importância das tradições afro-brasileiras no contexto contemporâneo.

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    Jaqueline Silva é produtora de conteúdo no i9artigos.com, especializada em política, atualidades e fatos curiosos do mundo. Com olhar analítico e habilidade em transformar informações complexas em explicações acessíveis, ela acompanha diariamente os principais acontecimentos nacionais e internacionais para oferecer conteúdo confiável, contextualizado e relevante. Sua produção combina pesquisa rigorosa, atenção a detalhes e compromisso com a clareza, ajudando o leitor a compreender temas importantes e as tendências que moldam a sociedade.

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