O que é a violência vicária?
A violência vicária é um tipo de agressão que ocorre quando um homem ataca pessoas próximas a uma mulher, como filhos ou familiares, como forma de punição ou vingança. Essa forma de violência é particularmente cruel, pois visa causar dor emocional e psicológica à mulher, utilizando o seu maior laço afetivo como arma. No Brasil, infelizmente, essa modalidade de violência é mais comum do que se imagina, mas pouco discutida.
Recentemente, um caso trágico no interior de Goiás trouxe esse tema à tona. No dia 11 de fevereiro de 2026, Thales Machado, secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara, cometeu um ato de violência vicária ao atirar contra seus dois filhos, de 12 e 8 anos, e, em seguida, tirar a própria vida. Esse ato brutal chocou a comunidade e levantou questões sobre a saúde mental, a violência doméstica e, principalmente, as dinâmicas de controle por parte dos agressores.
O impacto da violência vicária
Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, explicou que esse tipo de violência tem como alvo principal as crianças, que representam o maior vínculo emocional da mãe. “No caso de Itumbiara, Thales matou os filhos com a intenção de atingir a mãe, como se ela estivesse recebendo a maior punição que se pode imaginar: a perda de um filho”, afirmou Estela.
Esse tipo de violência não se limita a ações físicas. Os agressores frequentemente constroem narrativas que os colocam como vítimas, desviando a responsabilidade e culpando a mulher pela tragédia. Antes de seu ato final, Thales postou uma mensagem nas redes sociais alegando traição por parte da esposa, tentando justificar sua ação e transferir a culpa para ela.
A necessidade de conscientização e ação
A tragédia em Itumbiara serve como um chamado à ação para a sociedade. Organizações como o Instituto Maria da Penha têm ressaltado que a violência vicária não é um fenômeno isolado, mas parte de uma cultura de machismo profundamente enraizada. Essa cultura perpetua a ideia de que as mulheres são responsáveis pelos atos de seus parceiros, mesmo quando são vítimas.
A Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) também se manifestou sobre o caso, reforçando que a mulher não deve ser responsabilizada pelas ações violentas de seus parceiros. “Ela não tem culpa. Ponto final”, destacou a DPE-GO. A campanha “Ela Não tem Culpa” visa combater a culpabilização das mulheres e promover a conscientização sobre a violência de gênero.
É fundamental que a sociedade reconheça a gravidade da violência vicária e trabalhe para prevenir esses casos. Isso inclui a criação de políticas públicas eficazes, educação sobre os direitos das mulheres e o fortalecimento da rede de apoio para vítimas de violência. Nomear e discutir a violência vicária é o primeiro passo para enfrentá-la e garantir que tais tragédias não se repitam.