China encerra embargo ao frango do RS após surto

A view of a grassy field with a river running through it Foto: Vitor Fontes (Unsplash)

Fim do embargo e suas implicações

Após um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pelas autoridades chinesas na sexta-feira (16) e confirmada nesta terça-feira (20) pelo Ministério da Agricultura brasileiro e por entidades do setor. Essa mudança representa um alívio significativo para os produtores gaúchos, que enfrentaram dificuldades devido às limitações nas exportações.

A suspensão da compra do produto havia sido imposta pelos chineses após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle no estado em julho de 2024. Este surto levou o governo a tomar medidas rigorosas para proteger a saúde pública e a integridade do setor avícola.

Contexto do embargo

A medida foi oficializada em um comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país, que revogou um ato anterior baseado em análise de risco sanitário. O embargo havia sido imposto após a detecção da doença em uma granja comercial no município de Anta Gorda (RS). Na época, o estado ficou em emergência zoosanitária por cerca de três semanas.

Além disso, em maio do ano passado, o estado registrou um caso de gripe aviária em uma granja no município de Montenegro. Um mês depois, o Brasil foi confirmado como livre da gripe aviária, após 28 dias sem registros. Contudo, em novembro de 2025, a China liberou as importações de frango dos demais estados brasileiros, mas manteve a proibição para o Rio Grande do Sul, o que gerou uma queda nas exportações.

Impacto econômico e perspectivas futuras

A ausência do mercado chinês afetou diretamente o desempenho das exportações gaúchas. Em 2024, o bloqueio contribuiu para a queda de cerca de 1% nas exportações de carne de frango do estado. Antes do embargo, a China respondia por quase 6% dos embarques de frango do Rio Grande do Sul, com a restrição sendo parcialmente compensada pela venda a outros países.

Segundo o Ministério da Agricultura, a retomada das exportações foi possível após a comprovação das medidas de controle e erradicação da doença, em conformidade com os protocolos internacionais de saúde animal. Essa reabertura é vista como um passo importante para a recuperação econômica do setor avícola no estado.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou que a reabertura do mercado chinês representa um avanço significativo para a normalização dos fluxos comerciais. “A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, destacou a entidade em nota. As negociações para essa reabertura envolveram um diálogo constante com as autoridades chinesas, onde foram enviados dados detalhados que comprovaram as ações de controle e erradicação da doença.

Com a nova autorização, as entidades do setor esperam uma retomada gradual dos embarques, à medida que sistemas de habilitação sejam atualizados e os certificados sanitários liberados. A China é um dos principais destinos do frango brasileiro e considerada estratégica para o equilíbrio do comércio internacional da proteína animal.

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