Consumo das famílias reduz desemprego apesar dos juros altos

man working on building Foto: Guilherme Cunha (Unsplash)

Desemprego em queda no Brasil

Apesar de a taxa básica de juros do Brasil ter alcançado em 2025 o maior nível em quase 20 anos, o país conseguiu registrar a menor taxa de desemprego desde 2012, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30). Em 2025, o índice de desemprego foi de 5,6%, uma queda considerável em comparação aos 6,6% registrados em 2024.

A principal razão para essa redução no desemprego é o aumento das compras das famílias, de acordo com a coordenadora da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, Adriana Beringuy. “A gente mantém uma economia basicamente impulsionada pelo consumo das famílias”, afirmou a analista.

O Brasil registrou, ao longo do ano passado, 103 milhões de trabalhadores ocupados e 6,2 milhões de pessoas em busca de trabalho, que são classificadas pelo IBGE como desocupadas. A Pnad avalia o mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação, tanto formal quanto informal.

Impacto da taxa de juros na economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou, em setembro de 2024, uma elevação da taxa básica de juros, a Selic, que subiu de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025. Essa decisão foi tomada em resposta ao aumento da inflação, que ficou fora da meta estabelecida pelo governo, de 3%, por 13 meses consecutivos. O aumento da Selic tem um efeito restritivo na economia, encarecendo o crédito e, consequentemente, desestimulando investimentos e consumo.

Com a elevação dos juros, a expectativa é que haja uma menor procura por produtos e serviços, resultando em uma desaceleração da inflação. No entanto, essa situação pode ter um efeito colateral, reduzindo a geração de empregos na economia.

O papel do consumo das famílias

Adriana Beringuy destaca que, mesmo com a Selic em níveis elevados, a transmissão do efeito dos juros na economia não é uniforme. Em sua análise, ela faz uma distinção entre setores sensíveis a juros altos e aqueles que não são. “Não houve explosão de consumo de bens duráveis, como móveis, que dependem mais de crédito. O que vimos foi um aumento no consumo de bens não duráveis, como alimentos e vestuário”, explica.

Esse comportamento é atribuído ao aumento da renda do trabalhador, que se manteve em alta ao longo de 2025. A Pnad revelou que o rendimento médio mensal dos trabalhadores atingiu um recorde de R$ 3.560, representando uma expansão de 5,7% em comparação ao ano anterior, já descontada a inflação. A analista afirma que o aumento da renda e o controle da inflação contribuíram significativamente para o consumo das famílias, que, apesar da alta dos juros, se manteve robusto.

Além disso, a valorização real do salário mínimo também tem um papel importante nesse cenário, beneficiando especialmente os trabalhadores menos escolarizados e aqueles que estão em setores mais vulneráveis da economia.

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  • converted 1 Consumo das famílias reduz desemprego apesar dos juros altos I9 Artigos

    Jaqueline Silva é produtora de conteúdo no i9artigos.com, especializada em política, atualidades e fatos curiosos do mundo. Com olhar analítico e habilidade em transformar informações complexas em explicações acessíveis, ela acompanha diariamente os principais acontecimentos nacionais e internacionais para oferecer conteúdo confiável, contextualizado e relevante. Sua produção combina pesquisa rigorosa, atenção a detalhes e compromisso com a clareza, ajudando o leitor a compreender temas importantes e as tendências que moldam a sociedade.

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