Cenário Atual do Consumo de Café no Brasil
O aumento nos preços do café nos últimos anos resultou em uma queda significativa no consumo da bebida no Brasil. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo caiu 2,31%, passando de 21,9 milhões de sacas de 60 kg em 2024 para 21,4 milhões em 2025. Esse número é notável, especialmente considerando que em 2017 o consumo interno atingiu um recorde de 22 milhões de sacas.
Os preços também tiveram um aumento considerável. O preço médio para o consumidor subiu 5,8%, refletindo a volatilidade dos anos anteriores. Nos últimos cinco anos, o custo da matéria-prima aumentou 201% na variedade conilon e 212% na arábica. No varejo, o preço do café subiu 116%, gerando preocupações sobre o futuro do mercado.
Expectativas para o Setor de Café em 2026
Apesar da queda no consumo, o presidente da Abic, Pavel Cardoso, acredita que o cenário atual tem aspectos positivos. Mesmo com um consumo reduzido, o Brasil continua sendo o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, em termos de consumo per capita, os brasileiros consomem, em média, 1,4 mil xícaras de café por ano, superando o consumo americano.
Para 2026, a Abic não espera uma queda significativa nos preços do café. A indústria aposta em um ambiente mais estável, especialmente com a entrada de uma safra promissora. Contudo, a redução nos preços ao consumidor pode demorar, com previsões indicando que isso só deve ocorrer em duas safras futuras, devido aos estoques globais ainda baixos.
Desafios Enfrentados pelo Setor
O aumento dos preços é, em grande parte, resultado das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, incluindo safras ruins devido a condições climáticas adversas e baixos estoques. Pavel explicou que desde 2021 houve um descompasso entre oferta e demanda global, exacerbado por problemas climáticos que impactaram a produção, resultando em um aumento contínuo nos preços, um desafio significativo para a indústria.
Apesar desse cenário desafiador, Pavel vê a resiliência do consumidor brasileiro em relação ao café como um ponto positivo. “O brasileiro não abre mão do café”, afirmou. Ele também destacou que a leve redução de 2,31% no consumo é uma notícia positiva, considerando o histórico de aumento dos preços nos últimos anos.
Adicionalmente, o setor enfrenta a questão das tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos, que afetam o café solúvel. Embora a tarifa de 40% sobre o café em grão tenha sido suspensa, o café solúvel continua sendo taxado, e a expectativa é que essa questão seja resolvida em breve.
Em conclusão, o setor do café no Brasil atravessa um momento complicado, com a combinação de preços altos e uma leve queda no consumo. No entanto, as perspectivas para os próximos anos, com uma safra promissora à vista e a resiliência do consumidor, oferecem um cenário de esperança para a indústria do café.