Aumento no Endividamento das Famílias Brasileiras
Em janeiro de 2026, o percentual de famílias brasileiras com dívidas, incluindo cartões de crédito e financiamentos, atingiu 79,5%. Este é o maior nível já registrado, igualando o recorde anterior de outubro de 2025. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Apesar do aumento no endividamento, a taxa de inadimplência caiu pelo terceiro mês consecutivo. Em dezembro de 2025, a inadimplência era de 30,5%, enquanto em janeiro de 2026, caiu para 29,3%. Em janeiro de 2025, a inadimplência era de 31,1%.
Impacto nas Famílias com Menores Renda
As famílias com rendimentos mais baixos são as mais afetadas. A pesquisa mostra que 82,5% das famílias que ganham até três salários mínimos estão endividadas, em comparação a 68,3% nas que possuem renda superior a dez salários mínimos. O salário mínimo foi fixado em R$ 1.621 desde janeiro de 2026.
Perfil das Dívidas no Brasil
O levantamento revela que o cartão de crédito é a forma de endividamento mais comum, utilizado por 85,4% das famílias. Outros tipos de dívidas incluem:
- Carnês: 15,9%
- Crédito pessoal: 12,2%
- Financiamento de casa: 9,6%
- Financiamento de carro: 8,7%
- Crédito consignado: 6%
- Cheque especial: 3,4%
- Outras dívidas: 2,5%
- Cheque pré-datado: 0,3%
O tempo médio para quitar dívidas é de 7,2 meses, e 29,7% da renda familiar é comprometida com pagamentos. Alarmantemente, 19,5% das famílias relataram que mais da metade de seus rendimentos está comprometida com dívidas.
Desafios da Inadimplência e Juros Altos
A CNC destaca que a dívida pode estimular o consumo, mas se torna preocupante quando as famílias têm dificuldades em honrar seus compromissos. A inadimplência é um sinal de agravamento dessa situação, especialmente entre famílias de menores rendimentos.
Os altos juros, com a Selic em 15% ao ano, complicam ainda mais o pagamento das dívidas. Essa taxa, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, impacta diretamente as taxas de juros no mercado, tornando o crédito mais caro.
Com a previsão de que o endividamento deve continuar a aumentar no primeiro semestre de 2026, a CNC estima que chegue a 80,4% em junho, enquanto a inadimplência pode cair para 28,9%. A expectativa de queda na Selic, já sinalizada pelo Banco Central, pode influenciar esses números positivamente.