Indústria e Construção criticam Selic em 15%

the flag of brazil is flying in the blue sky Foto: Chris Boland (Unsplash)

Decisão do Copom e suas repercussões

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (28), teve repercussão negativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais. A manutenção dessa taxa é vista como um fator que pode impactar negativamente o crescimento econômico, o acesso ao crédito e a geração de empregos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi uma das primeiras a se manifestar. Em sua avaliação, o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia e desconsidera a trajetória recente de desaceleração da inflação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, expressou sua insatisfação, afirmando que o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de flexibilização monetária, considerando o cenário atual.

Impactos no setor da construção civil

O setor da construção civil também manifestou preocupação com a decisão do Copom. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), destacou que os juros elevados restringem o crédito imobiliário, diminuindo a demanda por novos empreendimentos e dificultando a viabilização de projetos. Correia enfatizou que uma política monetária contracionista desacelera a atividade econômica, afetando toda a cadeia produtiva e gerando reflexos prolongados sobre emprego e renda.

Por outro lado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou uma postura mais moderada em relação à decisão. Para a entidade, o Copom age com cautela diante das incertezas fiscais e externas que o Brasil enfrenta atualmente. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa destacou que, mesmo com a desaceleração da atividade econômica, a inflação e as expectativas inflacionárias ainda se mantêm acima da meta estabelecida. Para ele, o comunicado do Copom será crucial para entender se há uma sinalização em direção ao início do ciclo de cortes na taxa de juros.

Reação das centrais sindicais

As centrais sindicais, por sua vez, reagiram de forma mais contundente à decisão do Copom. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou que a manutenção da Selic em 15% ao ano coloca o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais, penalizando a população. Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), afirmou que juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e resultam em menos empregos.

Além disso, a CUT destacou que cada ponto percentual da Selic adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos com juros da dívida. Em uma crítica mais ampla, a Força Sindical classificou a decisão como uma “irresponsabilidade social”, acusando o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. Miguel Torres, presidente da entidade, ressaltou que a política monetária atual restringe o crédito, eleva o endividamento das famílias e trava o desenvolvimento econômico.

Apesar das intensas críticas, o Copom decidiu manter a Selic pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, marcando o maior nível da taxa desde 2006. Essa decisão estava em linha com as expectativas da maioria dos analistas de mercado, considerando um cenário de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos que pairam sobre a economia brasileira.

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  • converted 1 Indústria e Construção criticam Selic em 15% I9 Artigos

    Jaqueline Silva é produtora de conteúdo no i9artigos.com, especializada em política, atualidades e fatos curiosos do mundo. Com olhar analítico e habilidade em transformar informações complexas em explicações acessíveis, ela acompanha diariamente os principais acontecimentos nacionais e internacionais para oferecer conteúdo confiável, contextualizado e relevante. Sua produção combina pesquisa rigorosa, atenção a detalhes e compromisso com a clareza, ajudando o leitor a compreender temas importantes e as tendências que moldam a sociedade.

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