As exportações de milho do Paraná registraram um salto expressivo em 2025, com crescimento de 179% em comparação ao mesmo período de 2023. Os dados fazem parte do Boletim de Conjuntura Agropecuária, elaborado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em parceria com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.
Volume exportado quase triplica em dois anos
Entre janeiro e fevereiro de 2025, o Paraná exportou 981,7 mil toneladas de milho, contra 351,5 mil toneladas registradas no mesmo bimestre de 2023. O aumento em volume foi acompanhado de forte alta na receita obtida com a venda do grão no mercado externo.
No primeiro bimestre de 2023, o faturamento com as exportações de milho somou US$ 81,5 milhões. Já em 2025, esse valor subiu para US$ 219,1 milhões, o que representa crescimento de 168,9%. O desempenho consolida o milho como um dos principais produtos da pauta de exportações do agronegócio paranaense.
China lidera compras de milho paranaense
O número de países compradores de milho do Paraná diminuiu no comparativo entre os dois períodos. De 38 destinos em 2023, o Estado passou a exportar para 18 países em 2025, nos dois primeiros meses do ano.
Mesmo com a redução no número de mercados, a concentração das vendas cresceu. A China se destaca como o principal destino, absorvendo 46% do volume total exportado pelo Paraná neste início de ano. Foram 457,1 mil toneladas embarcadas para o país asiático, gerando receita de US$ 96,9 milhões.
Na sequência da lista de maiores importadores de milho paranaense aparecem Coreia do Sul, México, Colômbia e Espanha, que completam o grupo dos cinco principais destinos do cereal.
Produção de milho no Paraná mantém potencial elevado
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, o Paraná mantém forte desempenho na produção de milho. Considerando as três safras anuais, o Estado apresenta potencial para colher 33,9 milhões de toneladas.
Na safra 2022/2023, o Paraná registrou produção recorde, atingindo 21,4 milhões de toneladas. O desempenho reforça o papel do Estado como um dos principais produtores e exportadores de milho do Brasil.
Diversificação de mercados ainda é desafio
Embora o governo estadual tenha como objetivo ampliar e diversificar as relações comerciais para reduzir dependência de poucos mercados, os exportadores de milho concentram grande parte das vendas na China. A forte presença do país asiático nas compras do grão paranaense evidencia a importância estratégica desse parceiro, mas também aponta a necessidade de expansão para outros mercados.
Coreia do Sul, México, Colômbia e Espanha seguem como alternativas relevantes, contribuindo para diminuir a concentração, mas ainda representam participação menor em comparação à China.
Exportações de carnes recuam no bimestre
Enquanto o milho registra alta histórica nas exportações, o setor de carnes do Paraná enfrenta retração. De acordo com o boletim, a receita com as exportações de carnes de frango, bovina e suína caiu 15,9% nos dois primeiros meses de 2025, em relação ao mesmo período de 2024.
O faturamento passou de US$ 684,8 milhões para US$ 576 milhões. Em volume, a queda foi ainda mais acentuada, com redução de 339,2 mil toneladas para 270,7 mil toneladas, o que representa diminuição de 20,2%.
Queda atinge todas as proteínas animais
O recuo foi registrado nas três principais proteínas de origem animal exportadas pelo Paraná. As exportações de carne de frango caíram 16,6% em volume. A carne suína teve diminuição de 23%, enquanto a carne bovina apresentou a maior retração, com baixa de 28,2%.
China, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Chile e Arábia Saudita seguem como os cinco principais compradores das carnes paranaenses. O setor ainda sente os impactos da pandemia de Covid-19 e das instabilidades decorrentes do conflito entre Rússia e Ucrânia, que afetam a logística e a demanda global por proteínas animais.
O contraste entre o avanço das exportações de milho e a queda nas vendas externas de carnes revela um cenário desafiador e, ao mesmo tempo, promissor para o agronegócio do Paraná, que busca consolidar-se como um dos protagonistas do comércio exterior brasileiro.