Mobilização em defesa da democracia
Na última quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, para um ato em defesa da democracia. A manifestação marcou os três anos dos atentados ocorridos em 8 de janeiro de 2023, um momento crítico na tentativa de golpe de Estado que foi posteriormente julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Naquela data fatídica, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro tomaram as ruas de Brasília, invadindo e depredando as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do STF.
A importância do 8 de janeiro
Para Sandro César, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro (CUT-RJ), essa data serve como um lembrete da necessidade de vigilância constante em relação à democracia brasileira. “Esse ato marca mais um ano do inominável movimento que foi feito pelos golpistas do Brasil no sentido de aviltar a democracia brasileira, de derrubar o Estado Democrático de Direito. É algo que nós achávamos que estava distante, mas voltou a acontecer no Brasil”, afirmou Sandro, destacando a relevância das condenações dos envolvidos como um exemplo histórico que deve ser lembrado pelas futuras gerações.
Ele acrescentou a importância de responsabilizar aqueles que tentaram violar a Constituição e o pacto democrático do país. “Ex-presidente preso, generais golpistas presos e envolvidos no golpe presos. Isso é o que deve acontecer quando se viola a Constituição da República do País. É um ensinamento importante para que as futuras gerações possam nunca mais imaginar ou tentar fazer algo do tipo”, destacou o dirigente sindical.
Rejeição à anistia
Durante a manifestação, José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb/Rio), expressou sua crítica a qualquer tentativa de anistia aos golpistas. Ele afirmou que não se pode aceitar uma estratégia que masquerade a anistia sob o nome de “dosimetria”, que na verdade seria uma forma genérica de amnistiar os envolvidos. “O Lula vetou o projeto, mas ele pode voltar para o Congresso, e precisamos estar nas ruas para pressionar o parlamento contra esse benefício aos que querem roubar a democracia”, enfatizou Ferreira.
João Pedro, militante do movimento de juventude Juntos, que é antifascista, anticapitalista e ecossocialista, também ressaltou a importância de manter a mobilização constante. “Nessa data importante, lembramos da necessidade de estarmos sempre mobilizados. Precisamos ficar atentos sobre os constantes ataques da extrema direita que temos vivenciado. É fundamental começar o ano com mobilização. É necessário resistir, mas também apresentar uma alternativa para a crise”, concluiu João Pedro, reforçando a ideia de que é possível construir uma sociedade melhor e superar os desafios atuais.
Enquanto a luta pela democracia continua, o ato na Cinelândia serviu como um lembrete poderoso de que a vigilância e a mobilização são essenciais para proteger os valores democráticos e garantir que eventos como os de 8 de janeiro de 2023 não se repitam. A união de diversas vozes em defesa da democracia é um sinal de esperança e resistência em tempos de crise.