Brasil critica EUA na OEA por sequestro de Maduro

a crowd of people walking down a street Foto: Matheus Câmara da Silva (Unsplash)

Brasil se manifesta na OEA sobre sequestro de Maduro

Na reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador do Brasil, Benoni Belli, expressou a gravidade da situação gerada pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3). O diplomata destacou que este momento evoca tempos difíceis que a América Latina e o Caribe já enfrentaram.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, afirmou Belli durante a sessão da OEA realizada na terça-feira (6).

Consequências da ação militar

Segundo o representante brasileiro, as agressões militares podem levar a um cenário onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. Ele enfatizou a importância de não aceitar o argumento de que os fins justificam os meios, uma ideia que, segundo ele, carece de legitimidade. Belli alertou que essa lógica abre espaço para que os mais poderosos determinem o que é justo ou injusto, ignorando as soberanias nacionais e ditando decisões para os mais fracos.

“A soberania internacional sustentada pelo direito internacional e pelas instituições multilaterais é fundamental para que os povos possam exercer sua autodeterminação”, concluiu.

Repercussões na ONU e situação de Maduro

Na segunda-feira (5), durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, também se manifestou contra a justificativa de que os fins poderiam justificar os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela.

A operação militar resultou na remoção forçada de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. A ação, que envolveu confrontos que resultaram na morte de membros das forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, levantou preocupações sobre a legitimidade do processo.

Maduro e sua esposa foram apresentados na segunda-feira ao Tribunal Federal em Nova York, onde aguardam uma audiência de custódia. O presidente venezuelano se declarou inocente e negou as acusações de envolvimento com narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. Ele se autodenominou um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”, enquanto permanece detido em um presídio federal localizado no Brooklyn.

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