Presidente da CPI solicita convocação de Ibaneis Rocha
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou nesta terça-feira (3), em Brasília, que irá solicitar a convocação do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha. A convocação será feita após a ausência do governador na sessão da CPI, que estava marcada para o mesmo dia. Se a convocação for aprovada pelo colegiado, Ibaneis terá a obrigação de comparecer e prestar esclarecimentos sobre temas relevantes relacionados ao combate ao crime organizado na região.
Motivo da ausência de Ibaneis Rocha
Embora Ibaneis tenha sido convidado a comparecer pessoalmente à sessão da CPI, ele optou por enviar um ofício informando que o secretário de Segurança, Sandro Avelar, estaria presente em seu lugar. No entanto, quem realmente compareceu foi o secretário-executivo da pasta, Alexandre Patury. Essa substituição não agradou ao presidente da CPI, que argumentou que a presença do governador é fundamental para discutir questões de segurança pública no DF.
Em nota, a assessoria do senador Fabiano Contarato confirmou que, devido à ausência de Ibaneis, a sessão da CPI foi cancelada e um requerimento para a convocação do governador será apresentado em breve. Contarato destacou a importância do depoimento de Ibaneis, especialmente considerando que o DF é a sede do poder político e econômico do país.
Debate sobre crime organizado e segurança pública
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), também defendeu a convocação de Ibaneis Rocha. Ele ressaltou que, apesar dos índices de criminalidade na capital serem considerados controlados, a presença do governador é crucial para discutir as estratégias de combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado em setores da economia e no Estado.
“Seus gestores poderão detalhar as estratégias de combate à lavagem de dinheiro, descapitalização das facções e infiltração do crime organizado em setores da economia e do Estado”, afirmou Vieira ao justificar a necessidade de ouvir o governador.
Além disso, a entrou em contato com a assessoria do Governo do Distrito Federal (GDF) para obter um posicionamento sobre o ocorrido, mas ainda não obteve retorno. A situação envolvendo a CPI e a convocação de Ibaneis Rocha se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre o crime organizado na região e suas ramificações.
Essas discussões ganham ainda mais relevância em função do escândalo do Banco Master, que está relacionado a fraudes financeiras significativas, estimadas em até R$ 17 bilhões. O governador Ibaneis Rocha enfrenta pressões políticas, com pedidos na Câmara Legislativa para a abertura de uma CPI e até mesmo para seu impeachment.
Ibaneis Rocha, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma estar tranquilo em relação às investigações que envolvem o Banco de Brasília (BRB), que está sendo investigado por sua tentativa de compra do Banco Master, que teria emitido créditos falsos no mercado financeiro.
Enquanto isso, a CPI do Crime Organizado também planeja ouvir outros governadores sobre a atuação do crime organizado em seus estados. Na quarta-feira (4), estava agendado o depoimento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mas essa sessão também foi cancelada, uma vez que o governador informou que estava em uma agenda oficial na Europa e não poderia comparecer.
Assim, a situação política em torno da CPI e das questões de segurança pública no Distrito Federal segue em evolução, com a convocação de Ibaneis Rocha se destacando como um ponto crucial para os desdobramentos das investigações e para a responsabilização dos envolvidos no combate ao crime organizado.