CPMI do INSS desiste de quebra de sigilo do Banco Master
Nesta quinta-feira (5), o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Vianna (Podemos-MG), retirou de pauta o requerimento que pedia a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master. A instituição está sob investigação por supostas fraudes no mercado financeiro.
A decisão ocorreu em um contexto de apurações focadas nas atividades do Banco Master, especialmente em relação aos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.
Mudança de foco nas investigações
A CPMI decidiu redirecionar suas investigações para a instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente em prisão domiciliar, com depoimento agendado para 26 de fevereiro. Essa mudança busca obter informações mais precisas sobre a atuação do Banco Master nos empréstimos consignados.
Justificativa para a retirada do requerimento
O requerimento de quebra de sigilo foi considerado abrangente demais por Vianna, que argumentou que o pedido se desviava do propósito original da Comissão. Ele afirmou que a CPMI deve focar nos empréstimos consignados, e não em todas as operações do banco. “Não faz sentido pedir a quebra de 100% das operações, pois esses dados não serão úteis no relatório”, disse o senador.
Vianna também destacou que o Judiciário não permite que a CPMI se desvie do tema que justificou sua criação, reforçando a necessidade de manter o foco nas questões relacionadas aos empréstimos consignados. O INSS apontou irregularidades em cerca de 251 mil contratos de empréstimos consignados com o Banco Master.
Reações e desdobramentos
O deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS), um dos autores do requerimento, expressou preocupação com a possibilidade de revisão do texto antes da votação, sugerindo uma tentativa de “blindar” a investigação. Em contrapartida, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) criticou o requerimento, afirmando que ele não estava relacionado aos empréstimos consignados e que sua apresentação visava criar uma “cortina de fumaça”.
Pimenta enfatizou a importância de avançar nas investigações para identificar os responsáveis pelos supostos desvios relacionados aos aposentados do INSS, acusando a oposição de obstruir o processo. As disputas políticas em torno do Banco Master e do INSS continuam a gerar tensão entre os parlamentares.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-PE), ressaltou a importância do acordo de cooperação técnica entre o Banco Master e o INSS, firmado em setembro de 2020, levantando questões sobre a responsabilidade das gestões passadas.
A CPMI também ouviu o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que explicou a decisão de não renovar o contrato com o Banco Master, destacando que 251 mil dos 324 mil contratos de crédito com aposentados não possuíam a documentação necessária.
Em meio a esse cenário, a CPMI decidiu manter a votação apenas dos requerimentos com consenso entre governo e oposição, adiando a análise de outros 20 requerimentos polêmicos para promover um diálogo mais produtivo.