O apoio do Brasil à candidatura de Bachelet
Recentemente, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou seu apoio à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em uma publicação nas redes sociais, Lula enfatizou que, após oito décadas de história da organização, chegou a hora de a ONU ser comandada por uma mulher. Essa declaração reflete não apenas uma posição de apoio, mas também uma visão sobre a importância da representação feminina em altos cargos internacionais.
Lula ressaltou que a trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Ele destacou sua notável carreira, que inclui ser a primeira mulher a presidir o Chile em duas ocasiões, além de ter sido a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde. A experiência de Bachelet em funções de alto nível no sistema multilateral também foi mencionada, indicando sua capacidade de liderança em um cenário global complexo.
O papel de Bachelet na ONU e suas credenciais
Na mesma publicação, Lula lembrou o papel decisivo que Bachelet teve na criação e consolidação da ONU Mulheres, onde atuou como a primeira diretora-executiva. Ele elogiou seus esforços para dar escala institucional à agenda da igualdade de gênero e sua atuação como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos. Durante seu tempo nessa função, Bachelet trabalhou arduamente para proteger os mais vulneráveis, defender o direito humano a um meio ambiente limpo e saudável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido. Essas contribuições a credenciam como uma forte candidata à posição de liderança na ONU.
“Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, afirmou Lula, sublinhando a relevância de sua candidatura em tempos desafiadores.
O cenário atual da ONU e a candidatura conjunta
Atualmente, o cargo de secretário-geral da ONU é ocupado pelo português António Guterres, que foi reeleito em 2021 para um segundo mandato de cinco anos, que se estende até 2026. O novo secretário-geral assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2027, e a candidatura de Bachelet foi formalmente apresentada nesta segunda-feira (2) pelos governos do Chile, Brasil e México.
Em uma nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil explicou que essa candidatura conjunta reflete a intenção dos países envolvidos de fortalecer o sistema multilateral e promover uma liderança que seja capaz de responder aos desafios atuais. A nota destaca a ampla experiência da ex-presidenta na condução de processos políticos complexos, sua capacidade de facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas.
Além disso, o Itamaraty mencionou a atual complexidade do cenário internacional e a importância da ONU como principal espaço para diálogos e soluções coletivas em questões de paz e segurança, desenvolvimento sustentável, e promoção dos direitos humanos. O compromisso com o multilateralismo foi reafirmado como um pilar fundamental para uma governança global que respeite a autodeterminação dos povos.