Transferência de Jair Bolsonaro
Na última quinta-feira, dia 15 de janeiro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, tomou uma decisão impactante ao determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Essa medida ocorre em meio ao cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta a Bolsonaro por sua liderança na tentativa de golpe de Estado que ocorreu no Brasil.
O ex-presidente já se encontra no novo local, popularmente conhecido como Papudinha. Neste mesmo complexo, estão detidos outros dois ex-altos funcionários do governo: Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal, e Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ambos estão em celas individuais, seguindo as diretrizes do sistema penitenciário.
Avaliação médica e assistência
Além da transferência, a decisão de Moraes também inclui a determinação de que Bolsonaro seja submetido a uma junta médica oficial. Essa junta será composta por médicos da Polícia Federal e terá a responsabilidade de avaliar o quadro clínico do ex-presidente, assim como suas necessidades específicas durante o cumprimento da pena. A avaliação deve ser realizada em até dez dias, e tanto a defesa de Bolsonaro quanto a Procuradoria-Geral da República poderão indicar assistentes técnicos e formular questionamentos dentro de um prazo de 24 horas.
O ministro não apenas garantiu a avaliação médica, mas também autorizou uma série de medidas para assegurar a saúde e as condições de custódia do ex-presidente. Entre essas medidas, está a assistência médica integral, disponível 24 horas por dia, que contará com profissionais tanto do sistema penitenciário quanto médicos particulares previamente cadastrados. Essa assistência poderá ser oferecida sem a necessidade de comunicação prévia ao Judiciário.
Em situações de urgência, o deslocamento de Bolsonaro para hospitais é permitido, desde que a comunicação ao STF ocorra no prazo de até 24 horas após a transferência. Além disso, ele poderá realizar sessões de fisioterapia em horários e dias determinados por seus médicos, desde que o profissional responsável seja cadastrado e o juízo competente seja informado.
A defesa de Bolsonaro também recebeu autorização para providenciar a entrega diária de uma alimentação especial, devendo indicar a pessoa responsável por essa tarefa em um prazo de 24 horas. Equipamentos de fisioterapia, como esteira e bicicleta, poderão ser instalados nas acomodações, assim como a instalação de grades de proteção e barras de apoio, tudo conforme as recomendações médicas.
Visitas e regras de convivência
Em relação às visitas, a decisão de Moraes prevê a autorização para visitação semanal permanente da esposa de Bolsonaro, Michelle, e de seus filhos: Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura, além da enteada Letícia Firmo da Silva. As visitas ocorrerão às quartas e quintas-feiras, em horários previamente definidos. Outras visitas ficarão sujeitas às normas do sistema penitenciário do Distrito Federal e precisarão da autorização do STF.
Excepcionalmente, logo após a transferência, foi autorizada uma visita dos familiares diretos ainda no mesmo dia, com duração total de três horas, que deverá ser dividida entre os visitantes. No entanto, o pedido de acesso a uma televisão Smart TV foi negado, assim como outras solicitações relacionadas às condições de custódia na Superintendência da Polícia Federal, que foram consideradas prejudicadas devido à recente transferência.
Com essas medidas, espera-se que Jair Bolsonaro tenha suas necessidades de saúde e convivência atendidas durante o cumprimento de sua pena, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo sistema penitenciário brasileiro.