Contexto do pedido de impeachment
Recentemente, partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A ação foi motivada por citações do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que surgiram durante investigações sobre a tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB). Os pedidos foram formalizados por três legendas: PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL.
Os partidos alegam que a gestão de Ibaneis Rocha cometeu supostos crimes de responsabilidade. De acordo com as acusações, o governo local teria agido de forma temerária em operações envolvendo o banco público, o que teria gerado riscos ao erário e violado princípios fundamentais da administração pública. Entre os pontos destacados nas denúncias estão a compra de títulos de qualidade duvidosa, a criação de dívidas fora do orçamento e a falta de transparência nas negociações realizadas com o banqueiro Vorcaro.
As declarações de Ibaneis Rocha
Em resposta às acusações, Ibaneis Rocha negou qualquer envolvimento nas operações entre o BRB e o Banco Master. Em declarações à imprensa, ele afirmou que nunca tratou da questão diretamente com Vorcaro e que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, que era o presidente do BRB na época. O governador confirmou que teve encontros sociais com Vorcaro, mas esclareceu que esses encontros não envolveram discussões sobre assuntos bancários.
Ibaneis também enfatizou que a condução das operações estava a cargo do ex-presidente do BRB, que foi demitido após a deflagração de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Ele reiterou que, em suas quatro reuniões com Vorcaro, não discutiu nada relacionado ao BRB-Master e se limitou a dizer que confiou excessivamente em Paulo Henrique Costa.
As investigações em andamento
As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal revelaram que o Banco Master pode ter vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras que na realidade não existiam. Essa manobra visava evitar a quebra da instituição privada, que estava enfrentando uma grave crise de liquidez. Em novembro, o Banco Central decidiu pela liquidação do Banco Master, em razão das irregularidades encontradas.
O rombo estimado nas contas do BRB chega a impressionantes R$ 4 bilhões. Segundo reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central determinou que o BRB reserve ao menos R$ 2,6 bilhões para cobrir essas perdas, embora essa informação ainda não tenha sido oficialmente confirmada pelo órgão regulador.
Ex-executivos de ambas as instituições foram convocados a prestar depoimentos, e as apurações estão indicando falhas significativas de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações realizadas. Em seus depoimentos, Vorcaro também revelou ter conversado com Ibaneis sobre as negociações, o que trouxe ainda mais complexidade ao caso.
Com as investigações ainda em curso, a situação permanece tensa no cenário político do Distrito Federal. A expectativa é de que novos desdobramentos ocorram nos próximos dias, especialmente com a convocação de mais testemunhas e o avanço das apurações sobre as questões financeiras que envolvem o BRB e o Banco Master.