PF pede suspeição de Toffoli em investigação sobre fraudes no Banco Master
A Polícia Federal (PF) protocolou um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitando a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator do inquérito que investiga fraudes no Banco Master. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central devido a irregularidades financeiras que estão sendo apuradas.
O pedido foi formalizado na última segunda-feira (9) e surge após a PF informar a Fachin sobre a menção ao nome de Toffoli em mensagens no celular de Daniel Vorcaro, banqueiro e proprietário do Banco Master. O celular de Vorcaro foi apreendido durante uma operação de busca e apreensão, e a menção ao nome do ministro está sob segredo de Justiça, levantando questões sobre a imparcialidade do processo.
Repercussão e decisão de Fachin
Após receber a notificação da PF, Fachin decidiu abrir um processo interno e notificou Toffoli para que apresentasse sua defesa. A decisão sobre a continuidade de Toffoli como relator da investigação ficará a cargo do presidente do STF. Esse desenvolvimento é relevante, considerando que Toffoli já havia enfrentado críticas por sua permanência na relatoria do caso, especialmente após informações sobre irregularidades em um fundo de investimento associado ao Banco Master.
Esse fundo havia adquirido uma participação no resort Tayayá, no Paraná, pertencente a familiares de Toffoli, gerando preocupações sobre sua capacidade de conduzir o inquérito de forma imparcial.
Defesa de Toffoli
Em resposta ao pedido da PF, o gabinete de Toffoli afirmou que a Polícia Federal não tem legitimidade para solicitar sua suspeição, argumentando que o pedido se baseia em “ilações”. O comunicado destaca que, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil, a PF não é parte no processo e, portanto, não poderia fazer tal solicitação.
“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, declarou.
Essas declarações refletem a defesa de Toffoli em um contexto onde sua posição como relator é questionada, e a expectativa é que o desdobramento desse caso impacte a percepção pública sobre a integridade do processo judicial.
Contexto da investigação
A investigação sobre o Banco Master remonta a novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro e outros foram alvo da Operação Compliance Zero, uma ação da Polícia Federal voltada para apurar concessões de créditos fraudulentos pelo banco. A operação se concentrou nas irregularidades financeiras e na tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), uma entidade pública vinculada ao governo do Distrito Federal.
Os indícios de fraude são alarmantes, com prejuízos estimados em mais de R$ 17 bilhões, destacando a necessidade de uma investigação minuciosa e transparente, especialmente considerando as implicações envolvendo figuras de alto escalão do Judiciário e do setor financeiro.