Manifestação em São Paulo
Sindicatos e movimentos sociais se reuniram na tarde desta segunda-feira (5) em São Paulo, em frente ao Consulado dos Estados Unidos, para protestar pela liberdade de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. A ação, que reuniu diversos grupos, teve como foco a defesa da autonomia do país vizinho e a busca pela paz, além de expressar solidariedade ao governo e ao povo venezuelano.
Durante o ato, os participantes enfatizaram a importância da autodeterminação dos povos. Bianca Mondeja, estudante de Gestão de Políticas Públicas da USP e integrante da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmou: “A gente veio para esse ato hoje não só para demonstrar nossa solidariedade ao povo venezuelano, mas para conseguir colocar a posição dos estudantes da classe trabalhadora em relação aos ataques imperialistas, em especial dos Estados Unidos.” Segundo ela, o imperialismo se coloca em uma posição de dominação, afetando especialmente os países da periferia do capitalismo.
A professora Luana Bife, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), também se manifestou contra a intervenção dos EUA, classificando-a como uma ingerência que desestabiliza social e economicamente a Venezuela. Ela ressaltou a necessidade de uma posição clara pela autodeterminação dos povos, especialmente em um momento em que o ex-presidente Donald Trump sugeriu a possibilidade de ações militares contra outros países.
Gilmar Mauro, membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), defendeu a libertação imediata de Maduro, enfatizando que a soberania da Venezuela deve ser respeitada. “Estamos aqui solidários ao povo venezuelano em defesa da soberania e exigindo a soltura imediata do presidente Maduro. O que está em jogo são as democracias no continente”, afirmou Mauro. Ele também mencionou que cerca de 60 membros do MST estão atualmente na Venezuela, observando um crescente processo de mobilização popular no país.
Ataques e tensões políticas
O clima de tensão aumentou após os Estados Unidos realizarem uma operação militar, descrita como um “ataque de grande escala” contra a Venezuela, que resultou no sequestro de Maduro e sua esposa. Em uma coletiva de imprensa, Trump anunciou que os EUA assumiriam o controle do país até que uma transição de poder fosse estabelecida. Em resposta, Maduro negou as acusações de envolvimento com narcoterrorismo e tráfico de drogas, se declarando inocente e se referindo a si mesmo como um “prisioneiro de guerra”.
A situação gerou uma reação internacional, com o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocando uma reunião para discutir a ação militar dos EUA. Representantes de países como China e Rússia condenaram a operação e pediram a libertação imediata de Maduro e sua esposa. Os EUA, por sua vez, negaram que estivessem em guerra ou ocupando a Venezuela, afirmando que suas ações tinham um caráter jurídico.
Delcy Rodríguez assume a presidência interina
Em meio a essa crise, Delcy Rodríguez, que era vice-presidente, assumiu a presidência interina da Venezuela. Ela se destacou como a primeira mulher a liderar o Executivo venezuelano e fez um apelo pela libertação imediata de Maduro, afirmando que ele é o único presidente legítimo do país. Rodríguez condenou a operação militar dos EUA e foi reconhecida tanto pelo Exército quanto pela Assembleia Nacional como a nova chefe de Estado, com um mandato renovável de 90 dias.
Essa série de eventos marca um momento crítico para a Venezuela, que enfrenta desafios internos e externos significativos. A manifestação em São Paulo reflete a preocupação de muitos brasileiros sobre a situação política na Venezuela e a possibilidade de uma maior intervenção externa em assuntos soberanos do país.