Decisão do Ministério da Saúde sobre a vacina contra herpes-zóster
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para prevenção de herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A portaria que formaliza essa decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e gerou debates sobre a eficácia e viabilidade do imunizante.
Um relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) apontou que a vacina é considerada cara em relação ao impacto que poderia ter no combate à doença. A análise levantou questões sobre a relação custo-efetividade do tratamento.
Custos da vacinação
O comitê avaliou a importância da vacina na prevenção do herpes-zóster, mas destacou que a negociação do preço é essencial para a viabilidade da oferta no SUS. De acordo com o relatório, vacinar 1,5 milhão de pacientes anualmente custaria cerca de R$ 1,2 bilhão, totalizando R$ 5,2 bilhões em cinco anos. Esses números levaram à conclusão de que a vacina não é custo-efetiva.
A portaria também sugere que a Conitec poderá reavaliar a questão se novos dados surgirem, permitindo uma possível mudança na decisão futura.
Impacto do herpes-zóster na saúde pública
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, que também provoca a catapora. Após a infecção inicial, o vírus pode permanecer dormente e ser reativado, resultando em herpes-zóster, especialmente em idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Os sintomas incluem queimação, coceira e febre baixa, seguidos por manchas vermelhas que evoluem para bolhas. O processo geralmente dura de duas a três semanas. Embora possa melhorar espontaneamente, o herpes-zóster pode causar complicações sérias, afetando a pele, o sistema nervoso, os olhos e os ouvidos. O tratamento no SUS varia conforme a gravidade, incluindo medicamentos para dor e antivirais como o aciclovir.
Entre 2008 e 2024, o SUS registrou mais de 115 mil atendimentos relacionados ao herpes-zóster, evidenciando a relevância dessa condição na saúde pública. A mortalidade é uma preocupação, com 90% das mortes ocorrendo em pessoas acima de 50 anos, principalmente em idosos com mais de 80 anos.
A decisão do Ministério da Saúde sobre a vacina contra herpes-zóster continuará a gerar debates sobre como equilibrar a saúde pública e a sustentabilidade financeira do sistema de saúde.