Vídeos curtos prejudicam cognição infantil, diz estudo

two young boys sitting on a bed looking at their cell phones Foto: Sherwin Ker (Unsplash)

O impacto dos vídeos curtos nas crianças

Duas pesquisadoras da Universidade de Macau realizaram um estudo que revela que o consumo de vídeos curtos, especialmente aqueles visualizados em rolagem nas redes sociais, impacta negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças. As autoras enfatizam que essa prática pode resultar em sérios problemas, como ansiedade social e insegurança.

Wang Wei, acadêmica da área de Psicologia Educacional e uma das autoras do estudo intitulado Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses, comentou sobre os efeitos prejudiciais desse consumo. Segundo ela, “o consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e insegurança”.

A pesquisadora também chamou a atenção para a forma como essas plataformas, com seus algoritmos e interações sociais, satisfazem diretamente as necessidades psicológicas das crianças, que deveriam ser atendidas fora do ambiente digital.

Relação entre consumo e desempenho escolar

Uma das descobertas mais alarmantes do estudo é a correlação direta entre o tempo gasto consumindo vídeos curtos e a diminuição do envolvimento escolar. “Quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola”, afirma Wang.

Além disso, a natureza estimulante e o ritmo acelerado desses vídeos os tornam extremamente atraentes para os jovens. Essa atratividade pode levar a um uso excessivo, caracterizado como um vício, prejudicando ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável das crianças.

Fatores que contribuem para a dependência

Outra pesquisadora envolvida no estudo, Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da UM, acrescentou que a superestimulação proporcionada por esses vídeos é um fator que agrava o problema. Ela destaca que os vídeos curtos são facilmente acessíveis e gratuitos, o que facilita o consumo excessivo.

Wu também aponta que esses comportamentos de dependência podem ter origens em um “propósito funcional”, ou seja, muitas vezes, as crianças buscam escapar de realidades incômodas, estresse ou situações que preferem evitar. Essa busca por alívio pode levar a um ciclo de consumo compulsivo.

É crucial aumentar a conscientização sobre os efeitos negativos do uso excessivo de vídeos curtos, especialmente quando isso começa a afetar a vida diária das crianças, levando à negligência de responsabilidades, como tempo em família e sono.

Para ajudar as crianças a lidarem com essas questões, Wang sugere que é fundamental atender às suas necessidades emocionais enquanto se desenvolvem habilidades de autorregulação em relação ao uso digital, em vez de simplesmente retirar o aparelho celular.

O estudo serve como um alerta para pais e educadores sobre os riscos associados ao consumo excessivo de vídeos curtos, destacando a importância de um equilíbrio saudável entre o uso digital e o desenvolvimento emocional e social das crianças.

Autor

  • converted 1 Vídeos curtos prejudicam cognição infantil, diz estudo I9 Artigos

    Jaqueline Silva é produtora de conteúdo no i9artigos.com, especializada em política, atualidades e fatos curiosos do mundo. Com olhar analítico e habilidade em transformar informações complexas em explicações acessíveis, ela acompanha diariamente os principais acontecimentos nacionais e internacionais para oferecer conteúdo confiável, contextualizado e relevante. Sua produção combina pesquisa rigorosa, atenção a detalhes e compromisso com a clareza, ajudando o leitor a compreender temas importantes e as tendências que moldam a sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *