O grupo sul-coreano ATEEZ lançou nesta sexta-feira (26) o seu 14º mini-álbum, intitulado “GOLDEN HOUR: Part.5”. Composto por cinco faixas inéditas, o projeto destaca a música “BAD” como faixa-título, que, segundo a agência KQ Entertainment e a imprensa coreana, é inspirada no funk brasileiro. Essa escolha gerou reações diversas entre os fãs e internautas, levantando questões sobre a autenticidade e o respeito à cultura brasileira.
Recepção de “BAD” e a divisão entre os fãs
A recepção da música “BAD” expôs um descompasso entre o discurso promocional e o que foi entregue ao público. A imprensa sul-coreana elogiou a mistura, afirmando que ATEEZ retornou com um “toque de Brasil”, destacando a integração do funk brasileiro ao seu estilo. No entanto, os fãs brasileiros e latino-americanos, conhecidos como ATINYs, sentiram que a escolha criativa foi superficial.
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O clipe oficial, que traz a atriz norte-americana Chase Infiniti como protagonista, adota uma estética genérica de cinema latino, mas não apresenta nenhum verso em português. A inclusão da linha “We feel like if we’re Latinas” gerou críticas significativas, com muitas pessoas apontando que a canção não respeita a geografia e a diversidade cultural do Brasil, especialmente por não contar com colaboradores brasileiros na produção.
A repetição de erros na indústria do K-Pop
O caso do ATEEZ não é isolado e levanta preocupações sobre uma prática recorrente na indústria do K-Pop. Em março deste ano, o grupo P1Harmony enfrentou uma polêmica semelhante ao lançar o EP “UNIQUE”, que também utilizava batidas inspiradas no funk, mas foi inteiramente escrito em espanhol. A situação se agravou quando um dos integrantes justificou essa escolha, alegando que o funk possui muitas músicas em espanhol, o que gerou controvérsias.
Essas situações revelam um padrão preocupante, onde a apropriação cultural pode ocorrer sem uma verdadeira conexão com as raízes dos gêneros musicais. A discussão em torno do ATEEZ e do P1Harmony destaca a necessidade de uma abordagem mais respeitosa e informada ao integrar elementos de diferentes culturas nas produções do K-Pop.
O funk brasileiro e seu espaço na música pop global
O fenômeno da incorporação do funk brasileiro no K-Pop não é recente. A indústria sul-coreana tem mostrado interesse crescente pelo ritmo, reconhecendo sua versatilidade. Segundo o produtor Zegon, do duo Tropkillaz, o funk se adapta bem ao pop global devido à sua estrutura flexível, que mistura elementos de trap, R&B e outros estilos. Essa maleabilidade o torna atraente para produções focadas em dança e redes sociais.
Contudo, a falta de envolvimento de músicos e produtores brasileiros nos projetos levanta questionamentos sobre como esses gêneros estão sendo representados. Para muitos fãs, é essencial que haja um diálogo autêntico com as culturas de origem para que a colaboração resulte em algo que não apenas respeite, mas também celebre as raízes que influenciam a música.
O futuro das colaborações entre K-Pop e funk
O debate sobre a integração do funk brasileiro no K-Pop pode abrir portas para futuras colaborações mais autênticas. A inclusão de artistas brasileiros e a participação de produtores locais poderiam não apenas enriquecer as produções, mas também garantir que as influências culturais sejam respeitadas. As reações dos fãs mostram que a autenticidade é uma demanda crescente dentro da comunidade.
À medida que o K-Pop continua a se expandir globalmente, é fundamental que as interações culturais sejam feitas de forma consciente. O que se espera é que a indústria aprenda com os erros do passado e busque um entendimento mais profundo das culturas que pretende incorporar. Assim, o resultado final pode ser uma celebração genuína das diversas influências que moldam a música contemporânea.






